Ginjal e Lisboa

Ginjal e Lisboa
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19 março, 2014

'Deus não me deu o papel de Eva nem o de Maria porque também S. José me tinha corrido a pontapé' - "Adília Lopes, uma poeta que vale a pena a gente garimpar" - palavra de Eduardo Tornaghi


Quando aqui chego já a noite caíu há muito e venho sem ideias, a cabeça e o coração limpos. Esqueço os trabalhos do dia, preocupações profissionais ou familiares, esqueço até maleitas, tudo. Sou eu. Numa sala quase às escuras, numa mesa pouco iluminada, cercada por livros. Dir-se-ia que procuro o sossego ou que, a esta hora, gosto de sentir a leveza da solidão desejada. Mas não. Nem estou sozinha. O meu computador é muito mais que uma folha em branca: é uma janela que se abre para mundos que, de outra forma, eu jamais conheceria. O meu computador traz até aqui, à minha mesa, muita gente que fala coisas que eu gosto de ouvir.

Hoje lembrei-me de Adília Lopes. Há algo nesta mulher que me intriga. Quase acabou o curso de Física e a Física não é para todos, quem por lá perto tenha andado sabe o que aquilo é. Depois mudou para Literatura e pelos caminhos da literatura tem vindo a caminhar. Que padece de um certo tipo de psicose tem ela dito sem tabus e isso aparece muitas vezes nas suas palavras. Quando a ouço falar ou quando leio o que escreve fico sem perceber se ela fala ou escreve assim porque tem uma valente pancada, ou se se acha graça ou se é mesmo assim que ela é, infantil, irreverente, engraçada como uma menina grande e gorda.

Procurei por ela no YouTube e fui parar até um senhor fantástico: Eduardo Tornaghi. Ele diz poesia e prende-nos com a forma como diz e fala palavras engraçadas e, mais do que engraçadas, palavras muito oportunas como as que profere a propósito do mal-amado Acordo Ortográfico.

Vou acompanhar os seus vídeos. Abençoadas as pessoas que se dedicam à divulgação da bela língua portuguesa. Obrigada Eduardo Tornaghi.


Rosto de mulher impresso numa rocha no Jardim do Ginjal

Deus não me deu
um namorado
deu-me
o martírio branco
de não o ter

Vi namorados
possíveis
foram bois
foram porcos
e eu palácios
e pérolas

Não me queres
nunca me quiseste
(porquê, meu Deus?)

A vida
é livro
e o livro
não é livre

Choro
chove
mas isto é
Verlaine

Ou:
um dia
tão bonito
e eu
não fornico


A solidão
de Adão
antes da criação
de Eva
devia ser
terrível
mas a minha
é bem pior
os homens
que escreveram
o Génesis
não pensaram
que Adão
em vez de saudar
Eva
com um grito de júbilo
a mandasse embora
com sete pedras na mão
mas eu acho
que foi
o que me aconteceu
temendo isso
Deus
não me deu
o papel de Eva
nem o de Maria
porque também
S. José
me tinha corrido
a pontapé


['Meteorológica', para o José Bernardino, de Adília Lopes]



Papo Poético - Eduardo Tornaghi



05 dezembro, 2013

E que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor e a outra metade também.


Metade de mim é partida, metade de mim é saudade. Metade de mim é abrigo mas a outra metade é cansaço. Metade de mim é o que eu grito mas a outra metade é silêncio.

E que a minha loucura seja perdoada.




Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimento
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
e a outra metade um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
e a outra metade não sei

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço

Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é a canção

E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.


[Pedro Lamares diz Metade de Oswaldo Montenegro]

*


Metade dita pelo próprio Oswaldo Montenegro.



04 dezembro, 2013

A flor maior do mundo - história dita por José Saramago


Flores para todos os meninos, flores para Saramago, flores para todas as pessoas que gostam de flores, flores para todas as pessoas que gostam de crianças, flores para todas as pessoas que gostam de pessoas. E, quem diz flores, diz afectos, palavras, pontes, mil sóis, mil sonhos.

Flores minhas para vós, meus queridos Leitores. 



Se as histórias para crianças fossem lidas pelos adultos, a flor maior do mundo seria capaz de levantar o mundo do chão.

[Palavras de jrd num comentário aqui abaixo]
*

18 março, 2013

A frouxidão no amor é uma ofensa; a paixão requer paixão, fervor, extremo


Planta rompendo de entre o cimento junto a uma parede pintada


À infelicidade seguiu-se o excesso, o desafio, a sedução, o gozo. E sempre a ironia, a jocosidade, o colo quente das mulheres, muitas mulheres, muito amor para dar, muito amor para receber. Navegador, versejador, amante, tradutor, desafiador, uma vida de muitas voltas. Viveu pouco mas o pouco que viveu foi muito pois foi imenso como são imensos todos os grandes poetas. Magro, de olhos azuis, carão moreno, mais propenso ao furor do que à ternura, eis Bocage, em quem luz algum talento.


||||    ||||    ||||




A frouxidão no amor é uma ofensa,
ofensa que se eleva a grau supremo;
paixão requer paixão, fervor e extremo;
com extremo e fervor se recompensa.

Vê qual sou, vê qual és, vê que diferença!
Eu descoro, eu praguejo, eu ardo, eu gemo;
eu choro, eu desespero, eu clamo, eu tremo;
em sombras a razão se me condensa.

Tu só tens gratidão, só tens brandura,
e antes que um coração pouco amoroso
quisera ver-te uma alma ingrata e dura.

Talvez me enfadaria aspecto iroso,
mas de teu peito a lânguida ternura
tem-me cativo e não me faz ditoso.






Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões, que me arrastava;
ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe a Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua orgia dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, oh Deus!... Quando a morte à luz me roube,
ganhe um momento o que perderam anos,
saiba morrer o que viver não soube.





Poemas de Manuel Maria de Barbosa l'Hedois du Bocage ditos por Odete Santos e Gel e 'Por detrás da história - Bocage, documentário sobre a sua vida e obra'


*

A seguir temos uma nova grande interpretação de Nelson Freire, desta vez de Chopin, e é uma maravilha ver como a música pode escorrer como água.


09 outubro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Eureka Brass Band


Inicia-se hoje na Música no Ginjal o ciclo do Jazz. São 5 Jazz Bands.

É a alegria da música, a festa, o improviso, o prazer de inundar de ritmo quem está por perto. É a representação, é a joie de vivre.

Começamos com a Eureka Brass Band e imaginemo-los a actuar aqui no Ginjal, numa noite iluminada pelo luar, junto ao Tejo, tendo, como cenário, Lisboa iluminada - e eles, animados, tocando para nós, para mim, para si. Já imaginou?

Então, aceite este convite: hoje esta é para si, deixe-se ir. Enjoy!


 EUREKA BRASS BAND


Eureka Brass Band
foi assim designada por Willie Parker e tocou com regularidade desde 1920,
data em que foi fundada por willie Wilson, até 1975, data em que deixou de
actuar como conjunto permanente.
 Actualmente aparece apenas, com formações
ad-hoc e em intervenções ocasionais de iniciativa de Percy Humphrey, trompetista
e seu último dirigente.

.

PS: E porque este domingo o Ginjal faz 1 ano, há festa. Desça um pouco mais que Louis Armstrong tem uma surpresinha reservada para si, meu Caro Leitor. Venha.

O 'Ginjal e Lisboa, a love affair' faz hoje 1 ano! Cantem comigo, por favor, 'What a wonderful world', Louis Armstrong faz-nos companhia


Hoje é um dia especial e, por isso, festejo-o convosco ao som de What a wonderful world com Louis Satchmo Armstrong - faz um ano que comecei a dar corpo a este blogue.

Amo o Tejo, amo Lisboa, a Bela, e amo a vista maravilhosa que se tem do lugar mágico que é o Ginjal.

Amo a fotografia, amo a poesia, amo a música, adoro escrever.

E desta conjugação de amores nasceu este espaço. Progressivamente o número de leitores vem subindo, de Portugal a maioria mas também muitos do Brasil e de muitos outros países. A todos agradeço a vossa presença. Sensibiliza-me saber que estão aí, a partilhar comigo estas minhas devoções.

É para vocês, queridos Leitores, que aqui coloco as minhas fotografias, que escolho as poesias de que mais gosto, que escolho as músicas (agora, como sabem, a escolha das músicas tem estado a cargo do meu leitor -pirata-vermelho- a quem uma vez mais agradeço a generosa colaboração), é para vocês que escrevo os meus pequenos textos, é para vocês.

Quando aqui estou a preparar o que vou escolher e escrever é como se estivesse a arranjar a minha casa, com todo o cuidado, para vos receber.

Espero, pois, que gostem de aqui estar e espero que pensem como eu - que o mundo é (apesar de tudo!) um lugar maravilhoso para se viver.

Voltem sempre, meus Amigos, esta casa é vossa. E não poderia estar a abrir melhor a semana que aí vem, que é de Jazz.



I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself what a wonderful world.
I see skies of blue and clouds of white

The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself what a wonderful world.
The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by

I see friends shaking hands saying how do you do
They're really saying I love you.
I hear babies cry, I watch them grow
They'll learn much more than I'll never know

And I think to myself what a wonderful world
Yes I think to myself what a wonderful world.

06 outubro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Sarah Vaughan


Tem tanto de Divina como de Marinheiro. Picante e com um linguajar popular, por vezes, ou com uma voz que vem das alturas, outras vezes, hoje temos uma senhora muito especial na Música no Ginjal. Sarah Louis Vaughan, célebre, galardoada, inconfundível, aqui mostra-nos o seu virtuosismo vocal. Toda ela se entrega, toda ela está na sua voz - talento e suor de mãos dados.


SARAH VAUGHAN


Sarah Vaughan
 exibe o seu apuradíssimo sentido musical
numa forma com base na intuição pura - o scat,

SCAT, típico do jazz tradicional, é uma forma de improviso
constituído por um articulado sonoro, feito de vocalizos
e sílabas abstractas, com um resultado próximo do arranjo instrumental

05 outubro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - 4 Monsters: BB King, Eric Clapton, Buddy Guy, Jim Vaughn

      
Um momento de pura fruição. Descontraídos, bem dispostos, brincando com a música e com o prazer de a fazer para oferecer a uma multidão deliciada, quatro monstros sagrados dos Blues: BB King, Eric Clapton, Buddy Guy e Jim Vaughn.  Mais um momento feliz no Ginjal.


4 MONSTERS


De BB King, Eric Clapton, Buddy Guy e Jim Vaughn
não se fala - são mitos!

Rock Me Baby é uma criação de BB King (1965)
e é um marco da história do Blues moderno;
deriva de uma canção composta por Lil'son Jackson nos anos 50
e inspirou muitas outras criações de grandes figuras do Blues.

MÚSICA NO GINJAL - Wes Mackey


Hoje a Música no Ginjal sai à rua com os seus Blues. Hoje Wes Mackey oferece o seu swing a quem passa.

A voz quente dos blues hoje aqui, aqui e não em Seattle - arranjem um lugar, sentem-se por aí, na beira de um passeio, em cima de um muro, à janela, puxem de uma cadeira, como queiram - it's Ginjal Peace Concerts!


WES MACKEY


Wes Mackey
é um músico com um percurso atípico
Começou a tocar com músicos indistintos em Agusta, na Geórgia
e acabou por consolidar um estilo próprio, deslizante e  muito suave.

Seattle Peace Concerts é uma iniciativa de apresentação gratuita
de música de estilos variados para a qual contribuem artistas conceituados
que frequentemente improvisam durante a sua actuação


03 outubro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Lurrie Bell


O ambiente artístico de Chicago, com a sua música instrumental acentuada, impositiva, os músicos fortes num ambiente industrializado, dominado pela imigração, está aqui bem patente.

Lurrie Bell à guitarra e gritando, sem medo, ' I´m ready'. It´s Chicago Blues, Ladies and Gentlemen!


LURRIE BELL


Lurrie Bell
toca guitarra e canta no estilo inconfundível
dos 'Blues de Chicago', a cidade onde nasceu
e onde muito cedo começou a tocar
com os 'mestres' daquela música.

'I'm ready' foi composto por Willie Dixon
e estreado por Muddy Waters em 1954

02 outubro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Bessie Smith


Uma vida repleta, polémica, curta mas intensa, é o natural background de Bessie Smith, a great lady that sings the blues.

Nesta gravação histórica vemo-la ao balcão de um bar, voz densa, quente, encorpada, dando vida a uma canção arrastada, sofrida, macerada.

Este vídeo deverá ser visto e ouvido num ambiente apropriado, deveremos sentir-nos ali, com ela perto de nós, ali ao balcão. Luzes baixas, portanto, um copo na mão: Lady Bessie Smith está prestes a actuar.


BESSIE SMITH


Bessie Smith
foi uma mulher agitada que começou a cantar
nas ruas de Chattanooga tendo-se tornado
numa das grandes clássicas do Blues dos anos 20

St Louis Blues,  the jazzman's Hamlet,
foi composto por W.C.Handy  e é uma peça
fundamental da música popular americana.
A interpretação de Bessie Simth com Louis Armstrong
é considerada pela crítica como a melhor de 1920.

.

26 setembro, 2011

MÚSICA NO GINJAL - Svetlana Lunkina


Pode um ser humano ter a leveza e graciosidade de uma ave? Pode uma mulher ser etérea como um pensamento? Pode a música transportar uma mulher no espaço como se fosse uma folha, uma quase transparente partícula de pólen? Pode uma mulher conter em si todo o júbilo de uma boneca?

Pode. Vejam, por favor, Svetlana Lunkina, vejam como ela desliza, como ela brinca, como ela é feliz.


SVETLANA LUNKINA



Svetlana Lunkina
nasceu em Moscovo e formou-se na
Academia Coreográfica de Moscovo
(classe de M.Leonova).
Em 1997 juntou-se à Companhia de dança do Teatro Bolshoi
onde é primeira bailarina desde 2005.

Quebra Nozes
é um bailado fantástico
com música de Tchaikovsky
e libreto de Lev Ivanov;
foi estreado no Teatro Mariinsky em 17 de Dezembro de 1892.


25 setembro, 2011

MÚSICA NO GINJAL: Polina Semionova


É com um trecho de um maravilhoso bailado que hoje vos convido ao deleite, à emoção mais profunda.

Como vos referiri, este blogue abre-se hoje ao Mundo. Depois de durante quase um ano vos ter mostrado música portuguesa ou interpretada em língua portuguesa, eis que me apeteceu ceder à vontade de alargar horizontes.

Assim, contando com a valiosíssima e generosa colaboração do -pirata-vermelho-, sem aviso prévio, mudo a programação musical e abro a temporada com dança.

Sabem que voar é uma ideia recorrente naquilo que aqui escrevo. Voar, libertarmo-nos da lei da gravidade, vogar. Talvez por isso tanto me emocione ao ver estas mulheres e homens que voam ao som da grande música.

Polina, vocês verão, é mais que um cisne que voa. Ao vê-la pensei num gracioso flamingo, as altas e flexíveis pernas como finas e poéticas hastes - e como ela se eleva, como ela nos leva.

Queiram, pois, por favor, reservar um pouco do vosso tempo, da vossa sensibilidade.


POLINA SEMIONOVA
  


Polina Semionova
nasceu em Moscovo 1984, e estudou na Escola de Dança do Teatro Bolshoi.
Em 2002 juntou-se ao Berlin Staatsoper Ballet como bailarina principal.

Friedemann Vogel
 nasceu em Stuttgart, estudou na Academia de Dança Clássica Princesa Grace, no Mónaco e é, desde 2002, 1º solista do Sttugart Ballet.
O Cisne Negro
é um pas-de-deux de O Lago dos Cisnes, bailado dramático com música de Tchaikovsky
e libreto de Begitchev e Geltzer, estreado no Teatro Bolshoi em 20 de Fevereiro de 1877.

21 setembro, 2011

Maria Gadú interpreta A História De Lilly Braun

Maria Gadu, numa das suas canções mais conhecidas.



Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom
Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz
E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou
Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilingüindo toda
Ao som do blues
Abusou do scoth
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris
E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê
Como amar esposa
Disse que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar
Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz
Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz


(Letra de 'A história de Lily Braun, composição de Chico Buarque)

20 setembro, 2011

Maria Ana Bobone interpreta 'Com que voz'

Um dos mais belos fados interpretados por Amália que tem letra de Camões e música de Alain Oulman.

Aqui é interpretado por uma bela fadista e aqui a beleza é global: é ela, é a voz, é a atitude, é a interpretação no seu conjunto. Maria Ana Bobone.

Silêncio pois que vai cantar-se o Fado.


Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar não estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, poi se mudou
em tisteza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que a sofre e sente.

De tanto mal, a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.

(Letra de 'Com que voz' de Luís Vaz de Camões)

19 setembro, 2011

Martinho Da Vila & Katia Guerreiro interpretam 'Dar e Receber'

Alegria, empatia, musiquinha, embalo, ternura: a fadista Katia Guerreiro em tom de samba, Martinho da Vila, num samba picado, todo fadista.



Com o meu canto
Eu quero lhe encantar
Lhe embalar com o meu som
Embriagar
Fazer você ficar feliz
Cantarolar
Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá
Lá, lá, lá, lá...(2x)
Capitando a energia
Desse seu lalalalá
Sigo a filosofia
Que é bom receber e dar...
Eu quero dar
Eu quero dar
Eu quero dar
E receber
E receber
E receber
Fazer, fazer
Me refazer fazendo amor
Sem machucar seu coração
Sem me envolver...(2x)
Mas se você se apaixonar
Me quiser numa total
Vai ter que ficar comigo
Coladinho a meu umbigo
De maneira visceral
Vou expor minhas entranhas
Lhe darei muito prazer
E bem prazerosamente
Vou abrir mão dos meus sonhos
Prá viver só com você...
Mas se você se apaixonar
Me quiser numa total
Vai ter que ficar comigo
Grudadinha ao meu umbigo
De maneira visceral
Vou expor minhas entranhas
Lhe darei muito prazer
E bem prazerosamente
Vou abrir mão de meus sonhos
Prá viver só com você...
Eu quero dar
Eu quero dar
Eu quero dar
E receber
E receber
E receber
Fazer, fazer
Me refazer fazendo amor
Sem machucar seu coração
Sem me envolver...


(Letra de 'Dar e receber', composição de Martinho da Vila)

18 setembro, 2011

Manuel João Vieira interpreta Gosto de ti (realmente)

Admiro a figura excêntrica e controversa de Manuel João Vieira nas suas múltiplas identidades.

Não é fácil escolher um vídeo porque são raros os que se mantêm nos limites da 'decência', coisa que lhe perdoo mas que aqui não cai bem.

Esta canção, que hoje escolhi, é singela.


Gosto de ti
Gosto de ti quando te ris és tão bonita
Gosto de ti

Quando tu vens,
Quando tu vens
Olhas para mim
Sentas-te aqui,
És tão bonita

E não te ter,
Mas ter que ver o teu sorriso em todo o lado
Só faz doer,
Um coração tão trapalhão, apaixonado


(Letra de 'Gosto de ti, realmente' de Manuel João Vieira)

15 setembro, 2011

Jorge Palma interpreta 'Deixa-me rir'

Jorge Palma, um grande compositor e um grande intérprete, aqui numa das suas composições mais conhecidas: Deixa-me rir (ou então deixa-me entrar em ti).



Deixa-me rir
Essa história não é tua
Falas da festa, do Sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o convite
Tens medo de te dar
E não é teu o que queres vender

Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor
[ Lyrics from: http://www.lyricsmode.com/lyrics/j/jorge_palma/deixa_me_rir.html ]
Pois é , pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
De que que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso

Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre só por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a máscara sufocante

Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira

(Letra de 'deixa-me rir', composição de Jorge Palma)

14 setembro, 2011

Teresa Silva Carvalho interpreta "As cinzas duma saudade"

Uma mulher bonita e com uma bela personalidade musical, Teresa Silva Carvalho. Aqui num belo fado.



Não encontrei a letra

13 setembro, 2011

Ana Carolina e Maria Gadu interpretam 'Mais que a mim'

Uma canção romântica.


Ouvi dizer que você tá bem
Que já tem um outro alguém
Encontrei moedas pelo chão
Mas não vi ninguém pra me abraçar, me dar a mão

Eu chorei sem disfarçar
Quando vi seu carro passar
Vi todo amor que em mim ainda não passou
Eu já não sei bem aonde vou, mas agora eu vou

Tentei falar mas você não soube ouvir tente admitir
Tentei voltar e pude ver o quanto errei
Te amei mais que a mim
Ah, bem mais que a mim, mais que a mim

Ouvi dizer que você tá bem
Que já tem um outro alguém
Encontrei moedas pelo chão
Mas não vi ninguém pra me abraçar, me dar a mão

Eu chorei sem disfarçar
Quando vi seu carro passar
Vi todo amor que em mim ainda não passou
Eu já não sei bem aonde vou, mas agora eu vou

Tentei falar mas você não soube ouvir tente admitir
Tentei voltar e pude ver o quanto errei
Te amei mais que a mim
Ah, bem mais que a mim, mais que a mim


(Letra de 'Mais que a mim', composição de Maria Carolina)