Ginjal e Lisboa

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15 dezembro, 2010

Flor insegura enlaçada no vento que a suporta

Em pensamento cuida de mim que eu cuido de ti.

Há uma praia depois da sombra, há um abrigo no meio das ondas. Nele está um pássaro esquivo, o meu príncipe secreto.

Vou guardar-te bem dentro de mim.

(Em prece?)

(Preparando a pesca num dos cais do Ginjal, o Tejo aos pés)

Príncipe secreto da aventura
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura numa água tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Pássaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.

(in O Livro dos Amantes de Natália Correia)

27 outubro, 2010

Pelas praças e pelas ruas procurarei aquele que o meu coração ama

Vou dar voltas pela cidade, pelas praças e pelas ruas, vou procurar aquele que o meu coração ama.
Tudo o que eu vi, quero partilhar com ele; o que não vivi, hei-de inventar com ele; sei que não sei às vezes entender o seu olhar mas quero-lhe bem, quero que se encoste a mim.

(Largo de Cacilhas, à noite)

No meu leito, toda a noite
procurei aquele que o meu coração ama.
Procurei-o e não o encontrei.
Vou levantar-me e dar voltas pela cidade.
Pelas praças e pelas ruas, procurarei
aquele que o meu coração ama.

("Aquele que o meu coração ama", in Cântico dos Cânticos, 3, V.1, retrado de "O que dói às aves")

13 outubro, 2010