Vita brevis. Tempus fugit.
Deram-nos a vida e escolheram-nos o sítio onde a viveríamos. Um pequeno rectângulo. E um instante, não mais que um breve instante.
Tão breve esse instante que não desperdiçarei nenhum pequeno fragmento. Nem aceitarei de bom grado que quem quer que seja estrague o breve instante que é a minha vida. E as águas que vierem e o calor e as chamas que vierem será para meu deleite, não para minha derrota.
Por isso, agarro a vida com as mãos, com os dentes, e fixo as imagens que vejo e espalho as palavras que nascem de mim pelos espaços para que o meu breve instante atravesse os tempos, os espaços, chegue até onde os pássaros se acolhem, chegue até vós.
E agradeço ao desconhecido deus benevolente que olha por mim e peço que assim continue, protector e amigo, e que olhe também por vós, meus Amigos.
E que nunca caiam as pontes entre nós.
[Há pouco, ao comentar o post da Olinda Melo, lembrei-me da canção do Pedro Abrunhosa e, por isso, essa é hoje a minha escolha]
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Fogo de artifício visto da janela na passagem de ano 2012/2013 Façamos com que haja razões para festejar |
Um deus benevolente atribuiu-nos
uma morada
Disse: só pode ser ali
e por pouco tempo
Que a invasão das águas
o calor e as chamas
não tardam
E assim foi
[Poema de Rui Caeiro
in O quarto Azul e outros poemas]