Dizes que pedes para ser meu namorado e talvez peças mesmo, queixas-te, sentes-te infeliz, e é uma lamúria, uma lamúria, uma ladaínha, que querias, que fazias, que sei lá o quê. Sempre a mesma coisa.
Não sais desse registo e a nossa história, que nem é história, não passa disto.
Mas não percebeste que não é assim que me vais conquistar? Se queres, avança, arrisca, dá o peito às balas.
Querias ser meu namorado? E o que já fizeste para isso? Dizes que não vejo o teu desejo. Gostava de saber como chegaste a essa conclusão, gostava mesmo. Não. O que eu gostava mesmo era de outra coisa: é que fosses homem para mim.
Sempre essa converseta de vestido encarnado aos folhos e de verão e mais não sei o quê. Fantasia. Estamos no inverno, claro que não ando de vestido encarnado aos folhos como uma maria papoila. Pára de ficcionar e vem. Estou é já farta de estar à espera.
| Num dos muros rente à praia - Mulheres, Gatos, Tejo |
Queria ser teu namorado,
Morar dentro dos teus olhos;
Perder-me nos muitos folhos
Do teu vestido encarnado.
Mas tu ficas à janela
Sem ver sequer quando eu passo;
E a tua frieza gela
O calor do meu abraço.
Queria pegar-te na mão,
Deixar-me levar às cegas;
Perder-me nas muitas pregas
Do teu vestido de Verão.
Mas tu nem olhas para mim
Não sabes que te desejo,
Deixas um gosto ruim
Na doçura do meu beijo.
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A Tua Frieza Gela, letra de Maria do Rosário Pedreira e música de António Zambujo
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