Ginjal e Lisboa

Ginjal e Lisboa
Mostrar mensagens com a etiqueta Bernardo Sassetti. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bernardo Sassetti. Mostrar todas as mensagens

26 fevereiro, 2014

Eu creio que sonhar o impossível é como que ouvir a voz de alguma coisa que pede existência e que nos chama de longe.


De olhos confiantes, de coração aberto, de mãos generosas, de costas direitas, de cabeça erguida, avanço na vida. Procuro a beleza, os afectos, a alegria de dar e de receber, o prazer da procura. O mais importante na vida é fazer com que não seja em vão, com que não seja uma oportunidade desperdiçada. O mais importante na vida é saber vivê-la, é deixar uma marca nos outros, é fazer com que a caminhada seja um prazer para nós e para os outros. 

Digo eu. Mas é bem capaz de ser muito mais que isto. Muito melhor que isto. As palavras ficam aquém da beleza e da bênção que é a vida (por inabilidade minha).


Lançando-se ao voo

O mais importante na vida
É ser-se criador - criar beleza.
Para isso,
É necessário pressenti-la
Aonde os nossos olhos não a virem.
Eu creio que sonhar o impossível
É como que ouvir a voz de alguma coisa
Que pede existência e que nos chama de longe.
Sim, o mais importante na vida
É ser-se criador.
E para o impossível
Só devemos caminhar de olhos fechados
Como a fé e como o amor.




Este vídeo da autoria de CINE POVERO é dedicado ao Léo (que surge na 2ª fotografia)


"O mais importante" in «Canções» (1920) de António Botto (1897-1959) aqui dito por Manuela de Freitas in «Poemas de Bibe» [em parceria com Mário Viegas] (1990)


Música: Bernardo Sassetti (1970-2012), "Inocência - Movimento I"



12 maio, 2012

Não sei ao certo como será nem como ou quem anunciará essa noite, essa luz, esse momento - Veio sem aviso o momento em que Bernardo Sassetti entrou na noite mais escura mas, agora, já é a infinita luz aquilo que o rodeia


Na quinta feira à tarde, alguém viu um homem voar de cima dos penhascos. É o que se sabe.

Diz a família que estaria a tirar fotografias para um livro que iria sair. Dos penhascos do Guincho, em tarde de mar bravo, voou um ser abençoado. Mas, nesse momento, os deuses estavam a dormir, no momento em que mais precisaria das asas, elas mantiveram-se fechadas.

Custa a acreditar mas dizem que a família já reconheceu o corpo do homem que voou, dizem que pertencia a Bernardo Sassetti. 

Dizem - ou digo eu - que a sua alma voa agora entre nós. E, para sempre, voará entre nós, como uma aragem suave, como uma toada que dança com o vento.


Num dia em que se soube que mais um ser abençoado nos abandona, Ginjal num momento de grande desolação, o Tejo parado, o céu suspenso - há ausências que custam muito



Muitas vezes me pergunto quando vem.
Não sei ao certo como será
nem como ou quem
anunciará
essa noite essa luz  esse momento
Chegará como chega o vento.



['Momento' de Manuel Alegre in 'Nada está escrito']


Bernardo Sassetti - Alice


Bernardo Sassetti - Contigo em la Distancia



. Descansa em paz .

28 abril, 2011

Bernardo Sassetti interpreta Medley "Sonho dos Outros & Promessas"

Compositor, arranjador, pianista, Bernardo Sassetti tem, para além de um grande charme, um irrefutável talento.

Aqui uma pequena amostra da sua arte.

13 janeiro, 2011

Cantigas do Maio por Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti

Uma canção intemporal (do Zeca), um intérprete de qualidade (Carlos do Carmo), um músico que transmite uma vida vibrante quando as suas mão pousam no piano, seja para tocar jazz, clássica, ou música ligeira (Bernardo Sassetti).

Um bom CD, uma boa música esta.




Eu fui ver a minha amada
Lá p'rós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim

Eu fui ver o meu benzinho
Lá p'rós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal


Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou

Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir

Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelha
Para de mim se encantar

Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou

Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender

Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão
As andorinhas não param
Umas voltam outras não

Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou

(Letra de Cantigas de Maio, de José Afonso)