Ginjal e Lisboa

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21 julho, 2019

Uma teia que se desfia pouco a pouco





Escuta. 

Não te aproximes. Não sabes o perigo que corres. Fica aí, longe de mim, mantém-te em terra segura. Afasta-te. Não tentes saber de mim, nem tentes ver-me, nem tentes espreitar-me nem que seja apenas através das palavras que escrevo. 

Tem cuidado. Não corras riscos, não te aproximes do calor, não te arrisques que o fogo é abismo do qual não deves acercar-te, nunca, nunca. 

Não sabes que há um certo animal traiçoeiro, bicho calado que espera pelo momento em que a caça não vai conseguir escapar-lhe, bicho que atrai à sua teia quem vem sem cuidados, bicho de quem deves manter-te distante?

Escuta o meu conselho. Pára por aí, recua, esquece. É que, se deres mais um passo, um só que seja, vais correr o risco de ficar aprisonado, atraído pelo fogo de um olhar que nunca pousará em ti, e tu preso, preso até ao fim dos tempos, preso à invisível teia do que nunca será recíproco e tu para sempre preso, para sempre. Por isso, foge, foge, foge de mim. 

No entanto, sinto-te aí, sinto a tua respiração, sinto o bater do teu coração, sinto a tua inocente vontade em abeirares-te, sinto-te, sinto-te tão perigosamente perto. Apesar do silêncio que paira entre nós, apesar da distância, apesar de não usar o teu nome nem tu o meu, apesar de nos desconhecermos, apesar de tudo, sinto-te aí, junto a mim, tão junto, tão, tão perto de mim. E isso é tão perigoso. Saberás quanto? Diz-me: não sabes que há riscos que não se podem correr?

Olha, ouve-me, foge de mim antes que a teia que nos separa se desfie e que para sempre chores o que nunca conseguiste nem conseguirás alcançar.

Foge, doido, foge.


Cuidado. O amor
é um pequeno animal
desprevenido, uma teia
que se desfia
pouco a pouco. Guardo
silêncio
para que possam ouvi-lo
desfazer-se.


[de Casimiro de Brito]

15 setembro, 2011

Jorge Palma interpreta 'Deixa-me rir'

Jorge Palma, um grande compositor e um grande intérprete, aqui numa das suas composições mais conhecidas: Deixa-me rir (ou então deixa-me entrar em ti).



Deixa-me rir
Essa história não é tua
Falas da festa, do Sol e do prazer
Mas nunca aceitaste o convite
Tens medo de te dar
E não é teu o que queres vender

Deixa-me rir
Tu nunca lambeste uma lágrima
Desconheces os cambiantes do seu sabor
Nunca seguiste a sua pista
Do regaço à nascente
Não me venhas falar de amor
[ Lyrics from: http://www.lyricsmode.com/lyrics/j/jorge_palma/deixa_me_rir.html ]
Pois é , pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira

Deixa-me rir
Tu nunca auscultaste esse engenho
De que que falas com tanto apreço
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso

Deixa-me rir
Ou então deixa-me entrar em ti
Ser o teu mestre só por um instante
Iluminar o teu refúgio
Aquecer-te essas mãos
Rasgar-te a máscara sufocante

Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira

(Letra de 'deixa-me rir', composição de Jorge Palma)

16 maio, 2011

Jorge Palma interpreta "Dormia Tão Sossegada" ao vivo no Coliseu

Jorge Palma é um dos grandes da música portuguesa, autor de grandes canções, grande intérprete.

Aqui numa canção com uma letra cheia de ternura.


Dormia tão sossegada
Pernas tão tenras na cama
Eu fui-me chegando a ela
Quis partilhar uma chama

Dormia tão sossegada
Os dedos tão inocentes
Eu desejei-a tão forte
Os preconceitos ausentes

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento

Dormia tão sossegada
Os lábios entreabertos
A calma em forma de sonho
Com os sentidos despertos

Ela ficou sossegada
Depois da minha visita
A desenhar os lençóis
Ficou ainda mais bonita

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento

Nunca ninguém me tinha dito
Assim tão bem
Como alguém pode ser tão igual
Independentemente donde vimos,
Da cor da nossa pele,
Da nossa religião,
Do nosso dinheiro,
Da nossa moral

E a lua estava lá fora
Para além do firmamento
A fingir que não sorria
Desse espantoso momento
Desse espantoso momento
Desse espantoso momento.
(Letra de "Dormia tão sossegada" de Jorge Palma)

11 maio, 2011

Jorge Palma interpreta 'Estrela do mar'

Uma líndissima canção, uma bela música, uma maravilhosa interpretação: Jorge Palma e 'Estrela do Mar'

A vossa atenção, também, para a letra (abaixo): linda.


Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
E em que o sono parecia disposto a não vir
Fui estender-me na praia sozinho ao relento
E ali longe do tempo acabei por dormir

Acordei com o toque suave de um beijo
E uma cara sardenta encheu-me o olhar
Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

Sou a estrela do mar
Só ele obedeço, só ele me conhece
Só ele sabe quem sou no principio e no fim
Só a ele sou fiel e é ele quem me protege
Quando alguém quer à força
Ser dono de mim

Não se era maior o desejo ou o espanto
Mas sei que por instantes deixei de pensar
Uma chama invisível incendiou-me o peito
Qualquer coisa impossível fez-me acreditar

Em silêncio trocámos segredos e abraços
Inscrevemos no espaço um novo alfabeto
Já passaram mil anos sobre o nosso encontro
Mas mil anos são poucos ou nada para a estrela do mar

(Letra de 'Estrela do Mar', composição de Jorge Palma)

15 março, 2011

O Bairro do Amor por Jorge Palma e Lena d'Água

Dois jovens talentosos, Lena d'Água e Jorge Palma, cantam uma bela canção da autoria de Jorge Palma, grande compositor. É um gosto revê-los e ouvi-los.


No bairro do amor a vida e um carrossel
onde há sempre lugar para mais alguém
o bairro do amor foi feito a lápis de cor
pra gente que sofreu por não ter ninguém

No bairro do amor o tempo morre devagar
num cachimbo a rodar de mão em mão
no bairro do amor há quem pergunte a sorrir
será que ainda ca estamos no fim do Verão

Eh pá, deixa-me abrir contigo
desabafar contigo
falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
descontrair um pouco
eu sei que tu compreendes bem

No bairro do amor a vida corre sempre igual
de café em café, de bar em bar
no bairro do amor o sol parece maior
e há ondas de ternura em cada olhar

O bairro do amor é uma zona marginal
onde não há prisões nem hospitais
no bairro do amor cada um tem de tratar
das suas nódoas negras sentimentais

Eh pá, deixa-me abrir contigo
desabafar contigo
falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
descontrair um pouco
eu sei que tu compreendes bem

(Letra de 'O bairro do amor', composição de Jorge Palma)

26 outubro, 2010