Ginjal e Lisboa

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15 dezembro, 2013

Às vezes, tanto, que o meu sonho louco voava das estrelas à mais rara


O chão que piso quando ando com a cabeça nas nuvens parece-se com um céu cheio de estrelas. Não me cansa viver. A vida é um imenso sonho que percorro, abrindo portas, descobrindo jardins, inventando labirintos de desejo e paixão, infinita descoberta, infinito mar de afectos e maravilhas. Olho o chão que piso e as pedras são constelações ou guias e por elas vou, sem me cansar, sem descrer. Tantos os sonhos, tantas as estrelas, tanta a luz.


Caminho no Ginjal junto à Fonte da Pipa





Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.  
Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.  
Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser. 
Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas. 

[Sabedoria de José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo' dito por Bruno Huca]