Voar como uma palavra, atravessar o Tejo como o desejo de uma mulher, ser impudica ou um pássaro branco, atravessar mil noites, ostentar com orgulho o sexo, escrever poesia, ouvir poesia, dizer poesia, sonhar com um vasto mar azul, sentir a doce inocência sobre a pele, perfumes carnais, e palavras, palavras, palavras.
Eu. Os meus segredos. O meu mundo. (Corrijo: parte do meu mundo)
| O Tejo no Ginjal |
Se eu disser que vi um pássaro
Sobre o teu sexo, deverias crer?
E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
Se eu disser que o desejo é Eternidade
Porque o instante arde interminável
Deverias crer? E se não for verdade
Tantos o disseram que talvez possa ser.
No desejo nos vêm sofomanias, adornos
Impudência, pejo. E agora digo que há um pássaro
Voando sobre o Tejo. Por que não posso
Pontilhar de inocência e poesia
Ossos, sangue, carne, o agora
E tudo isso em nós que se fará disforme?