Ginjal e Lisboa

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17 junho, 2023

Reconcilio-me com o acaso das esquinas do absurdo



É à noite que os dias ganham, para mim, uma textura de veludo que me envolve de uma forma única. Eu de noite sou outra, sou eu e nada mais que eu, sem circunstâncias, sem motivos, apenas eu e as minhas mãos e os meus olhos e os meus ouvidos, eu e o meu corpo. Escrevo sem pensar, escolho música e imagens de forma livre, e deixo-me levar pela minha intuição, pelos meus sentimentos ou, até, pelos meus enigmas.

Se, tempo depois, calha ler o que antes escrevi, surpreendo-me por esta que sou e que nem sempre me reconheço. As minhas palavras soam-me, então, como a visão de mim por dentro, o meu pulsar, o meu respirar, o meu coração, outra que não a que se vê ao espelho.

As minhas noites não têm fantasmas que me assustem. Se os tenho, eles são generosos, meigos, abraçam-me e sorriem-me e eu sinto-me embalada pela sua presença. Amigos que me acompanham, amigos eternos e compassivos.

E estou rodeada por livros. Cercam-me. Vocês haviam de me ver aqui no meio deles, a mesa cheia, as cadeiras à minha volta cheias deles. Parece que apenas assim me sinto bem. Abro-os, espreito-os, leio um pouco, são como amigos de quem a gente gosta de saber que estão bem, que nos contem o que têm feito, por onde andam. Assim eu e eles. Abro, leio, duas, três, quatro páginas, e depois outro e outro. Não sei o que vocês pensam desta minha forma caótica de ler, mas é assim. Em paralelo há sempre um livro que vou lendo com rigor, um esteio. E há a poesia de que eu preciso como de ar ou água (ou perfume). Tenho que a ter rente a mim, abro um livro, leio um poema, abro outro, leio um poema. Anarquia pura. Sem bússula, sem propósito. Poemas em minha volta como gatos dóceis.

Depois, há o rio cujas margens percorro à noite ou que, sempre que posso, descubro à luz do sol. E há sempre coisas inesperadas. Umas absurdas, outras loucas. E todas me enternecem. O rio é uma das minhas casas, esquivo lençol que os meus olhos afagam, descanso e desafio.

Sou tão agradecida pelo que me é dado ver, ouvir, escrever, ser. Gostava de poder agradecer a alguém tudo o que me é dado viver mas não sei a quem. 





[Abaixo do estranho painel de papel que ondula ao vento sobre o rio, temos de novo a visita de Emerenciano. Há algum tempo que não aparecia por cá e eu já sentia a sua falta. Logo a seguir, mais um grande momento com Jorge Palma que vem acompanhado por outro doido como ele, o magnífico Rui Reininho]


Por isso agradeço a incertos mas atentos deuses: obrigada.
Cais do Ginjal numa manhã fria e azul



                                                             O dia assiste à noite
                                                             a noite recebe-me
                                                             os fantasmas visitam-me
                                                             chegam para contar
                                                             histórias de meter medo
                                                             e reconcilio-me com o acaso
                                                             das esquinas do absurdo
                                                             onde encontro Camus
                                                             amigo eterno de deus
                                                             que acena e ri
                                                             e correspondendo
                                                             agradeço os livros
                                                             da percepção
                                                             do lado estranho
                                                             e entranho.



['Amigo eterno de deus' de Emerenciano in 'Ir & Vir', palavras & imagens]



13 maio, 2013

Meu eco trocado onde o vagar permite esquecer as ciladas


Passo devagar, em silêncio, rente às casas abandonadas. Do outro lado, o rio belo e indiferente, aquela indiferença de quem se sabe livre, independente, belo demais.

Passa uma ou outra gaivota, passa ao longe, vagaroso, um grande navio, talvez passe um frágil veleiro branco, asas deslizando sobre o rio. E vou eu, sem mais ninguém, eu e os meus pensamentos, as minhas memórias, os meus sonhos.

E, então, inesperadamente, ouço chamar o teu nome. Detenho-me. 

Ouço de novo. Chamam por ti e é a minha voz. 

Estremeço. Não é possível. A medo, a tremer, encosto o ouvido à porta de onde vem o chamamento. Ao encostar-me a porta abre-se, rangendo, um lamento.

Uma parede de onde a tinta branca se descola, restos de um outro tempo. Uma escada íngreme. Ninguém. 

Do fundo, lá de cima, de novo ouço a minha voz chamando por ti. Não percebo. Parece um eco longínquo. 

Começo a subir, o coração aflito, se calhar é uma cilada. Mas continuo. Todos os abismos são atraentes. 

Não sei para onde vou. Talvez para o esconderijo a céu aberto que há depois da porta que, ao fundo da escada, se abre para uma muralha, talvez para o céu. 

Subo seguindo o eco da minha voz, sem saber o que vou encontrar quando chegar ao cimo das escadas. Tremo, transpiro, mas vou. Não sei se estarei à minha espera. Eu ou a minha sombra. Ou o meu corpo imaterial feito de palavras. Ou aquele que um dia, há muito tempo, tu amaste e que pelo teu corpo se perdeu.



[Abaixo da escada que vai da rua até a uma porta que abre para o céu, temos mais um poema de Emerenciano, e eu gosto dos poemas dele, são poemas que me levam para imprevistos esconderijos. Logo a seguir, temos um momento de tranquilidade, de paz, de sombra e frescura, um bom som para nos acompanhar quando buscamos o nosso eco: um coro interpretando Allegri]


No velho casario do Ginjal, casa abandonada



                                                    Meu eco trocado
                                                    onde o vagar permite
                                                    esquecer as ciladas
                                                    volta sempre
                                                    e o corpo revelado
                                                    sem querer, tantas vezes
                                                    quantas as oportunidades
                                                    desperta para o esconderijo
                                                    que começa a ser.



                                                    ['Esconderijo' de Emerenciano in 'Ir e Vir]

*


Vagarosa
silenciosamente
saímos do nosso interior
e
como pássaro acordado
rumámos de encontro 
ao sol 
que deixámos 
para lá
dos nossos sonhos. 

Desconhecemos
o que o medo
nos trará, 
no encontro 
ou desencontro 
com o vazio possível. 
Felizes seremos, 
se esse vazio
guardar
a razão dos nossos anseios. 

Assim, 
valerá subir, 
voar… 
procurar
o mundo ignoto, 
quase imaterial, 
que nos espera.



[Texto/Poema do Leitor dbo em comentário aqui abaixo]

17 abril, 2012

Vê-me de longe ou perto do ouvido


Vê a alma de alguém, quem não consegue ver-lhe os olhos? 

Tu que não me vês, imaginas como eu sou? 
Conheces-me por dentro, tu que não me conheces por fora?


Não podes verter dentro do meus olhos os mistérios do teu olhar, não podes dizer segredos bem rente ao meu ouvido, não podes ver que expressão eu faria se visse o teu rosto. E, apesar disso, estás aí, tomando estas minhas palavras, acreditando na minha boa fé, na franqueza com que deponho as ideias que me vão ocorrendo no calor das tuas mãos.

Não me vês, pelo que não posso pedir a tua atenção, dizendo 'olha', não me ouves pelo que para quê dizer-te 'escuta'? Como pedir então que me vejas e me ouças? 

E, no entanto, aqui estou, aí estás, confiando um no outro. 


Acredita: esta sou eu, eu inteira. 

Pode ser-se amigo de alguém que não se vê, não se escuta?


Quase diariamente aqui me sento à noite escrevendo para vocês, amigos sem rosto, amigos sem voz. E, no entanto, quase que posso ouvir-vos, quase chega até mim o brilho dos vossos olhos e o som suave da vossa respiração. Se eu sorrio, sei que vocês também me sorriem, se estou mais triste sei que vocês estão aí para me apoiarem, disponíveis um para o outro como são os amigos.


Meus amigos, amigos muito especiais, é o que vocês são para mim.
Obrigada por estarem aí.



[Hoje retomo Emerenciano, um poeta que desenha afectos em forma de palavras e, logo a seguir, uma voz desce dos céus para, através do corpo de uma mulher, cantar Rossini]


Fim de tarde, junto ao casario do Ginjal, na rua encostada ao rio. A Ponte sobre o Tejo  embeleza  o ocaso.


                        Vê-me de costas
                        contrário da luz
                        não me olhes de frente
                        porque me perturbas
                        dentro o meu lado
                        luminoso que trago
                        ao passar pela lua
                        ou rente a candeeiros.

                        Vê-me de longe
                        ou perto do ouvido
                        onde a espiral me leva
                        a prender-te aos segredos
                        ganhos para os amigos
                        e tu podes ser um
                        muito especial.


                        ['Amigo especial' de Emerenciano in 'Ir & Vir']

31 dezembro, 2011

Ainda me atiro à vida desafiando o eterno sem rede - e assim quero continuar em 2012. Que tenham vocês também um belo 2012, um ano que permita todas as vossas ilusões, que vos permita ser muito felizes.

  
Eu era uma menina que gostava de brincar na rua, de andar na rua até ser noite. A grande aventura era brincar de noite na rua. Havia uma liberdade que me era ainda desconhecida, havia uma magia nas luzes amarelas que mal iluminavam a rua, uma magia que eu, então, apenas intuía. Brincava desafiando o medo, escondia-me desafiando os seres nocturnos que poderiam saltar para me amedrontar, e conquistava o meu espaço, a minha segurança.

Ainda hoje, quando posso andar à noite, sob a luz escassa, em jardins por onde passeiam também fadas e duendes, sinto o mesmo - um medo indefinido, uma atracção aliciante, uma vontade de fixar dentro de mim as imagens inventadas que se formam à minha vista.

A criança que eu fui, curiosa, aventureira, destemida, desafiadora e, também frágil, e também sonhadora, a menina que se deslumbrava perante a beleza da rua, dos jardins, das estrelas, da lua, a menina que se deliciava com o sorriso no rosto dos outros ainda está dentro de mim. Todos os dias essa menina convive comigo e, de todos os seres que me rodeiam e que me habitam, é a essa menina que eu dou mais ouvidos, é ela que comanda a minha vida.

Essa menina que adorava correr, que adorava correr em descidas sentindo-se acelerar até quase sentir que não conseguia parar, a menina de cabelos ao vento, a menina que queria ver estrelas candentes, a menina que tudo queria, que tudo amava - essa menina ainda sou eu.


Que 2012 continue a permitir-me guardar dentro de mim, intacta, a criança que fui e sou, que seja uma ano muito bom. E, se o desejo para mim e para os meus, desejo-o também para vocês. Que tenham todas as razões para serem felizes. Construam as vossas próprias razões. Não as deixem passar ao vosso lado. Procurem-nas. Sejam felizes. Em 2012 e em todos os anos que se seguirão.



[E, claro, para encerrar 2011 e abrir 2012, tinha que aqui ter uma ode à alegria e, estando nós a encerrar a semana de Beethoven, teria que aqui vos oferecer o final da 9ª sinfonia - para vos desejar um 2012 muito alegre!]

Jardim junto ao Tejo, em Belém - de noite


                                      Ainda me atiro à vida
                                      desafiando o eterno
                                      sem rede, porque não há
                                      e verdadeiramente não houve
                                      e o pouco dinheiro
                                      poupado para a idade
                                      avançada do tempo gastei.

                                      Volto à ilusão plena
                                       da liberdade da essência
                                       e zango-me completamente
                                       com o absurdo de ter
                                       trabalho para sustentar
                                       a criança que me habita
                                       indo e vindo
                                       digo-lhe:

                                       porta-te bem
                                       criança do meu corpo
                                       sossega o ímpeto do desejo
                                       da luz que não verás
                                       a não ser na ilusão até ao fim
                                       brinquedo nas minhas mãos
                                       enquanto viver.


                                       ('Ir & Vir' de Emerenciano in 'Ir & Vir)
                            

27 setembro, 2011

Abandono-me ao prolongamento do dia onde não me vês nem podes


Avanças sozinho. Corres. Depois chegas a casa, cansado. Agora estás aí, sentado em frente do computador. Abandonas-te a ti próprio, tentando puxar-me para junto de ti - a mim, esta que te escreve, que está aqui e que não vês, que não podes ver.

Pensas em mim. Como sou? Como é o meu olhar? E o meu sorriso? Como é a minha voz? Não sabes, não podes saber.

À noite dormes um sono pesado e, ainda na cama, pensas que o dia pouco te trará, nenhuma satisfação, muito cansaço.

Querias ser pássaro para voar para longe, para te elevares - mas não podes. Estás irremediavelmente preso ao teu mundo que tão pequeno é para ti.

Mas não estás sozinho, sabes que não. Todos os dias, sento-me aqui e escrevo estas palavras que podes usar como tuas, como pássaros que soltes na tua janela. Melhor, faz assim: escolhe aquelas de que gostes mais, apara-as, ajeita-as a teu gosto, e une-as como um pequeno ramo de flores. E amanhã oferece-mas. E nunca me venhas com palavras que cortam, só quero sorrisos e flores.


[E a seguir ao poema, dado que há 'Música no Ginjal', segue para a sala abaixo: hoje é Sylvie Guillem. Allez y]

Em Belém, num belíssimo fim de tarde de Outono, homem corre sozinho

                   Abandono-me ao prolongamento
                   do dia onde não me vês nem podes.

                   teu sono é profundo e assobias.

                  Não durmo e a vigília dura
                  até de manhã, quando levantar
                  é a contigência de um emprego
                  que não é, se alguma vez foi
                  de satisfação.

                  Prevenido com punhais
                  para enfrentar o adverso
                  meu olhar enlaço o pássaro
                  que fala no seu voo,
                  desafia-me e eu fico
                  preso à desumanidade
                  que mora a meu lado,
                  me atinge e compromete.


                 (Pássaro de Emerenciano in Ir e Vir)

.

01 setembro, 2011

Não basta olhar para os lírios


Passeava rente ao Tejo, um fim de tarde de uma calma que me afagava a pele, uma luz azul, mágica, quase parecia a luz da aurora.

Um silêncio doce, apenas interrompido pelo subtil rumor do leve ondular das águas.

Ninguém.

O casario deserto, a estreita rua deserta.

E então vejo um barco, um pequeno barco que quase parece de papel e de lá sai um pássaro, uma magnífica gaivota que voa, asas abertas no largo espaço, passa por mim, tento fotografá-la mas ela segue, ignora-me, afasta-se e, então, pousa, Lisboa como cenário, e olha noutra direcção.

Não sei porque isso me entristece, não há explicação para isso. Mas entristece. Gostava que ficasse perto de mim mesmo que por um breve instante ou que, pelo menos, me olhasse.

Ontem no Ginjal, vinda do Tejo, ao fim do dia, de costas para Lisboa pintada a azul


Não basta olhar para os lírios
É preciso rescendê-los
partilhar o sussurro do seu nome
no roxo dos seus cabelos


(Lírios, poema de António Oliveira Emerenciano in Flores)

31 julho, 2011

Quero fazer a queima das sombras que me atam aos dias longos do dever

Agarrar a idade, agarrar o dia, carpe diem, seize the day, não desperdiçar um momento, beber até à última gota.

E deixar o corpo livre para ir à sua vida, deixar para trás quem puxa para trás, e a carruagem passará livre para procurar o seu destino.

Motards no Ginjal, no momento em que cacilheiro se faz ao Tejo, tapando momentanemente parte de Lisboa

Quero fazer a queima
das sombras que me atam
aos dias longos do dever
ausentar o corpo, isto é
ser indiferente a latidos
agarrar a idade.

Vão à vida porque destoam
amigos que cuidava
na exigênca dos passos
a ajustar ao caminho
e fico liberto para abraçar
adversidades.


('Agarrar a idade' de Emerenciano in 'Ir & Vir, palavras e imagens')

02 fevereiro, 2011

e posso colher restos de frutos caídos ou as sementes da ilusão

O sol vai introduzir a noite e eu estou aqui presa no meu corpo, indiferente à ocupação do espaço.

Visto-me assim, sem jeito, triste e se rio é apenas por disfarce. Estou presa às sementes de ilusão de que eu própria me alimento.

(Mulher olha Lisboa no Cais de embarque de Cacilhas, indiferente ao Tejo que corre aos seus pés)

O meu corpo preso
visto no seu jeito triste
ou no riso que é disfarce
aonde caem as pedras
persiste em círculos
de água para sossegar
indiferente à ocupação
da árvore pelos finórios
que chegam quando
o sol introduz a noite
e posso colher restos
de frutos caídos
ou as sementes
da ilusão.

(Sementes da ilusão, mais um poema de Emerenciano, in Ir & Vir)

30 janeiro, 2011

As histórias reais e as inventadas (a confirmar quando o dever chama)

Fechada no meu casulo secreto, agradeço o nosso amor que não é tardio - porque tudo tem o seu tempo certo.

E à noite mantenho-me acordada a pensar que sou a tua menina, que sempre serei a tua menina enquanto fores o meu rapaz, o meu querido rapaz, e que comigo viverá para sempre o teu jeito manso de me amar.

Meu amor.

Casal no Elevador Panorâmico do Ginjal, visto do lado de Almada, o Tejo e Lisboa lindos, luminosos

As histórias reais
e as inventadas a confirmar
quando o dever chama
trazem-me a inquietação atada por fios
que partem do mundo
e adio secretamente o voo
do casulo suado.

Dentro e em metamorfose
o pensamento reorganiza-se
e agradeço a Ariadne
o nosso encontro tardio
e a prevenção aproxima a crença
iluminada à noite
no meu hábito de dormir
muito acordado.

(Casulo suado de Emerenciano in Ir & Vir)

27 janeiro, 2011

Deixa tocar-te para sentir o que sinto ao tocar-te

Só contigo sinto o que sinto ao tocar-te.
Quando estou contigo ou  mesmo quando, simplesmente, converso contigo, tenho aquela estranha sensação de não pensar.
Nem preciso porque o tempo flui, as palavras fluem, os sentimentos fluem. Para quê, então, pensar? Não é preciso nem há tempo para isso.
Nessas alturas sou primitiva, sou corpo, sou, na verdade, apenas eu, só eu, toda eu.
Sabes isso, não sabes?

(Sedução às portas do Ginjal, no cais de embarque para Lisboa, em Cacilhas)

Toco-me
e não sinto
o que sinto
ao tocar-te.

Deixa tocar-te
para sentir
o que sinto
ao tocar-te
uma sensação
estranha
de não sentar.

Ainda sou
primitivo
ou primeiro
não sei bem
corpo da língua
que me faz
dizer sem tocar-te
corpo que és
e eu sou arrasto
do difícil do acto
de ligar-me.

[Desejo de Emerenciano in Ir & Vir (palavras & imagens), livro diferente e interessante que se recomenda]