Ginjal e Lisboa

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11 dezembro, 2013

Palavras que nos transportam aonde a noite é mais forte, ao silêncio dos amantes abraçados contra a morte.




Há Palavras que Nos Beijam


Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte.



Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'


Poema dito por Luís Gaspar


*


Cristina Branco interpreta 'Há palavras que nos beijam'


04 abril, 2011

Cristina Branco canta Menino d'oiro

Hoje, porque quero aqui dar as boas vindas ao meu menino recém-nascido, meu querido bebé, aqui deixo a canção de embalar que há muitos anos canto para os meus amorzinhos e que certamente cantarei também para ele (claro que não tão bem como a Cristina Branco, nada que se pareça...)


O meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro.
Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do meu menino, do meu menino
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.
Quantos sonhos ligeiros
p'ra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo
Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
Nasceu p'r'amar
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.
O meu menino é d'oiro
É d'oiro é de oiro fino ....
Venham altas montanhas
Ventos do mar ....
(Letra de 'O meu menino é d'oiro', que conhecemos de Zeca Afonso)

03 março, 2011

Não há só Tangos em Paris por Cristina Branco

Cristina Branco, com um aspecto mais sofisticado, mais madura, canta uma canção interessantíssima. Já não é fado, já não são remakes, já é uma linguagem musical muito própria.

A ter em atenção.


O CD foi lançado há 2 ou 3 dias, ainda não encontrei a letra.

Quando a encontrar, aqui voltarei.

21 fevereiro, 2011

Redondo Vocábulo por Cristina Branco

Uma canção intemporal, especial, como são as grandes canções de José Afonso.

Cristina Branco, uma voz límpida e o respeito pela musicalidade do mestre.

Ouçam que vale muito a pena.


Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa

(Letra de Redondo vocábulo, composição de Zeca Afonso)

03 fevereiro, 2011

Água e Mel pela Cristina Branco

Uma grande e jovem fadista, uma das vozes promissoras da nova geração de fadistas, interpreta Água e Mel inicialmente interpretado por Amália Rodrigues..



Entre os ramos de pinheiro
Vi o luar de Janeiro
Quando ainda havia sol
E numa concha da praia
Ouvi a voz que desmaia
Do secreto rouxinol

Com água e mel
Comi pão com água e mel
E do vão duma janela
Beijei sem saber a quem
Tenho uma rosa
Tenho uma rosa e um cravo
Num cantarinho de barro
Que me deu a minha mãe

Fui p´la estrada nacional
E pela mata real
Atrás dum pássaro azul
No fundo dos olhos trago
A estrada de Santiago
E o cruzeiro do sul

Abri meus olhos
Abri meus olhos ao dia
E escutei a melodia
Que ao céu se eleva de pó
Do vinho novo
Se provei o vinho novo
Se amei o rei e o povo
Meu Deus por que estou tão só

(Letra de Água e Mel, de Carlos Barbosa de Carvalho)