Ginjal e Lisboa

Ginjal e Lisboa

21 fevereiro, 2011

Tinham o rosto aberto a quem passava

Temos fome e sede como os bichos mas é em silêncio que caminhamos dentro da nossa memória.

Sonhamos com jardins onde podemos passear de mãos dadas e com isso afastamos o frio do coração.

Imaginamos que um dia um milagre acontecerá, que um dia poderemos ir como pássaros livres, voando pelos espaços.

Casal desfruta o momento na maravilhosa esplanada do restaurante Ponto Final no Ginjal

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

(Os amantes sem dinheiro de Eugénio de Andrade)

A cada gesto que faziam um pássaro nascia dos seus dedos

(Neste fim-de-semana chuvoso, gaivota penetra nos espaços, voando sobre o Tejo, no Ginjal, a Ponte ao fundo)

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