Ginjal e Lisboa

Ginjal e Lisboa

26 abril, 2011

Lugar exausto por não mais se suster do sangue límpido que foste

Toco o vazio e já não te encontro.

E mal encontro aquela que fui.

Tento lembrar-me, aproximo-me, rondo a memória mas já não estás lá.

Apenas encontro o vazio.

Num fim de tarde no Ginjal, estas casas desabitadas iluminam-se no meio de uma escuridão radiosa, o Tejo lento e cúmplice por baixo

Lugar exausto
por não mais se suster
do sangue límpido que foste:

lembro,
             aproximo,
                             rondo,
canto,
          toco esse vazio
para reconhecer-me
na escuridão radiosa
da casa por ti desabitada.


(XXVII 'Lugar exausto', de José Bento, in Sítios, livro quase sagrado)

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