Palavras com asas, cem asas, telhados com sonhos, casas sem sombras, voos rasantes com velas, sóis incendiados, saltos impensados e desejos abertos por onde a luz entra sem dono.
Íngremes os telhados, ascendentes os azuis, fluidos os olhares, florestas verdes e profundas, ilimites, infinitos, infindos recomeços, doces tangentes, e amores eternos, loucos, imensos, intensos.
Sons, gaivotas, suspiros, e um movimento que me eleva, me leva, me lava, me louva.
Sei e des sei, amo e des amo, luto e nunca des luto. E ando por onde as asas me levam e vou e voo e falo e abro e bato o pé e grito e não espero porque não conheço portas nem portadas, nem torres fechadas, nem grutas loucas, ocas.
Por isso aqui estou e que venha o primeiro que me derrube que eu me levantarei mil vezes, mil vezes, e para sempre o atirarei para a escura e tormentosa torrente dos pesos mortos.
Ámen.
[Abaixo da gaivota imateria que levanta voo, um poema atípico da autoria do poeta inconstante, E.M. De Melo e Castro. Logo a seguir duas quentes vozes de África recordam Cesária Évora. Noite boa, minha gente.]
| Gaivota e telhado numa casa do Ginjal |
falo que sei e des não sei
de um eu tangente tanto ou tudo
em florestas de íngremes torrentes.
Ou todas as esperas são tangentes
em que contando falo e digo escrevo.
O projecto do tacto tacteante
com as largas balizas desfilantes
ou a recta rectórica do resto.
O fim me vou. O fácil faleante sentido.
Ou por dentro da casa me consome a maior.
Que nunca des voe, porque é urgente continuar a voar... livre.
ResponderEliminarQue nunca nos vejamos sem asas, sem voz, sem querer, sem crer, sem força. Que para sempre longe fiquem esses tempos.
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